quarta-feira, 23 de abril de 2014

Penso, logo descrevo.

Dificilmente quem escreve não é marcado pelas palavras, palavras que são faladas, caladas e transgredidas. Palavras que tatuam não apenas o corpo, mas a alma. Palavras que dissipam, que saram, que curam, mudam e transmudam. A palavra dita, dura para sempre. Quem pensa fala, quem fala nem sempre pensa, mas a palavra ela tem sentido e significado, palavras não são apenas palavras, palavras são identidades, são ideias, são culturas e são valores. A palavra nem sempre para ser compreendida ou entendida, precisa ser pronunciada ou escrita, porém gestos e atitudes falam no silêncio das palavras. As palavras criaram uma barreira entre o acreditável e o inacreditável, palavras norteiam a razão, que educa a fé. As palavras tocam o inconsciente, que disparam para o consciente. Ao mesmo tempo que ela tem o poder, ela apenas se torna frágil. As palavras são vitais, possuem alegrias e dores, as palavras mentem, mordem, ferem, escorrem, faz perder, faz ganhar, faz recomeçar, ordenam, submetem, morrem e vivem. Acredito no poder das palavras, na sua força motriz, na sua veemência e impetuosidade, creio que construímos com as palavras e, também elas constroem coisas conosco. Aristóteles definiu o homem como zôon lógon échon. A tradução desta expressão, porém, é muito mais “vivente dotado de palavra” do que “animal dotado de razão” ou “animal racional”. Seria o homem a própria palavra? Peço licença para citar Jorge Larrosa Bondía:"O homem é um vivente com palavra. E isto não significa que o homem tenha a palavra ou a linguagem como uma coisa, ou uma faculdade, ou uma ferramenta, mas que o homem é palavra, que o homem é enquanto palavra, que todo humano tem a ver com a palavra, se dá em palavra, está tecido de palavras, que o modo de viver próprio desse vivente, que é o homem, se dá na palavra e como palavra".
  










Maurício Montino Macaúbas

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